Em 5 de novembro, a editora britânica Faber lançará o livro de Darren Loucaides, "Killer App", sobre o Telegram e Pavel Durov. Uma semana antes do lançamento, o Financial Times publicou uma resenha da editora da coluna de tecnologia, Elaine Moore. Segundo seu resumo, a ideia central do livro é que Durov protesta publicamente, mas negocia com as autoridades em silêncio.
Quando será lançado e quanto custa
O título completo do livro é "Killer App: The Rise of Telegram and the Battle for the Future of the Internet". Trata-se de uma edição em brochura com 368 páginas, em inglês, com ISBN 9780571396221. O preço sugerido pela editora é de 14,99 libras. Na Amazon UK, o livro já está disponível para pré-venda por 12,15 libras. As fichas de livrarias europeias também indicam a mesma data de lançamento: 5 de novembro de 2026.
Loucaides escreve para Wired, The Guardian e Rolling Stone. Ele acompanha o Telegram há mais de cinco anos: em 2022, o Wired publicou um longo artigo seu sobre Durov, e o livro se desenvolveu a partir da mesma investigação.
O que o livro contradiz com a versão oficial
A versão oficial é a seguinte: o Kremlin tirou o VKontakte de Durov, ele saiu da Rússia e criou um mensageiro protegido. Loucaides conversou com investidores, ex-funcionários das duas empresas e especialistas, e, segundo a resenha, construiu uma história mais complexa:
- Durov negou que o Telegram estivesse ligado ao VKontakte, mas o aplicativo foi iniciado pelos irmãos Durov em 2013, quando ainda trabalhavam lá. O livro descreve disputas internas no VKontakte e a batalha pelos direitos sobre o Telegram.
- A demissão de Durov do VKontakte em 2014 foi inicialmente descrita por ele como uma piada de primeiro de abril.
- Segundo o livro, muitos desses conflitos tinham raízes financeiras, e não políticas.
- Após vender sua participação no VKontakte, Durov, segundo dados de Loucaides, não viveu em exílio, mas continuou viajando para a Rússia.
Segurança e cooperação com as autoridades
O fato de o Telegram não ter criptografia de ponta a ponta por padrão (ou seja, onde as chaves estão apenas com os participantes da conversa, e os servidores veem apenas o texto criptografado) é conhecido há muito tempo. Também são conhecidas as críticas dos criptógrafos ao próprio protocolo MTProto. O livro acrescenta uma nova questão.
Grupos de direitos humanos acusaram o Telegram de ter ajudado o Kremlin a interceptar correspondências de opositores. Loucaides não encontrou provas disso, mas, segundo Moore, levanta a possibilidade de uma negociação tácita. Ele se baseia em casos em que o Telegram negociou com autoridades de outros países e escreve que os interesses comerciais foram colocados acima dos princípios declarados.
Detenção na França e política de privacidade
Em agosto de 2024, Durov foi detido em Paris. As acusações envolvem participação em disseminação de materiais com abuso sexual infantil, tráfico de drogas e fraude: a investigação francesa os vincula ao fato de o Telegram não ter respondido a pedidos das autoridades. Mais tarde, Durov foi autorizado a deixar a França.
Aqui, o livro destaca a mesma discrepância entre palavras e ações. Na política de privacidade inicial do Telegram, dizia-se: «We never share your data with anyone. No.» Hoje, a política afirma que, em caso de suspeita de terrorismo ou outro crime, o serviço pode revelar ao governo o endereço IP e o número de telefone do usuário.
O que a resenha diz sobre o próprio livro
Moore considera o livro uma narrativa detalhada sobre compromissos e conflitos que são inevitáveis na construção de uma empresa tecnológica global, e uma contribuição útil para a literatura sobre gigantes da tecnologia. Ela destaca especialmente que o Telegram foi criado fora dos Estados Unidos.
O ponto fraco, segundo ela, é a história de como o autor tentou sem sucesso obter uma entrevista com Durov: outros veículos, incluindo o próprio FT, já haviam conseguido entrevistas com Durov.
Na conclusão da resenha, Durov aparece no livro não como um ideólogo, mas como um pragmata que ajusta sua posição conforme as circunstâncias. O Telegram já foi banido, processado, esteve à beira da crise financeira, mas o número de usuários continua crescendo e já ultrapassou um bilhão.




